IFR – Tudo sobre o Indicador Índice de Força Relativa

O indicador Índice de Força Relativa ou IFR, em inglês RSI ou Relative Strength Index é, assim como as Médias Móveis, um dos mais populares entre os investidores grafistas. Talvez, pelo fato de ser um indicador de fácil interpretação, ele é um dos primeiros ensinados nos cursos de Análise Técnica.

Quer entendê-lo e utilizá-lo a seu favor para operar na Bolsa de Valores? Acompanhe o post:

O que é o Índice de Força Relativa (IFR)

Os indicadores clássicos de Análise Técnica são basicamente divididos em três tipos: rastreadores de tendência, volumétricos e osciladores ou de movimento, como o IFR, Estocástico e TRIX. Esses últimos geralmente são eficientes dentro de tendências curtas ou em largas acumulações, pois permite observar a força da tendência e sinalizar rompimentos de suportes e resistências.

O IFR é um indicador plotado em nova área, normalmente abaixo do gráfico principal. Isto acontece porque o IFR varia, a cada período, dentro de um intervalo de 0 a 100, enquanto o preço do ativo, índice ou commodity varia livremente seguindo suas características. Assim, o indicador é plotado no mesmo intervalo (data inicial à data final) e mesma periodicidade gráfica que o ativo acompanhado, porém em escala diferente.

O indicador Índice de Força Relativa possui apenas um parâmetro, que é o número de períodos a ser utilizado em sua fórmula. Vejamos, abaixo um gráfico com o IFR de 14 períodos calculado junto à cotação de 60 minutos da PETR4:

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Indicador Índice de Força Relativa para 9 periodos plotado no Gráfico SmarttBot

No gráfico acima, temos duas áreas: uma superior que mostra o gráfico de candles da cotação diária do ativo e uma área inferior que mostra o Índice de Força Relativa, calculado sobre os últimos 14 períodos. Na área inferior, temos também duas linhas (pontilhadas), nos valores de 70 e 30, criando uma zona sombreada no meio do intervalo de variação do IFR.

Fórmula de cálculo do IFR

IFR = 100 – 100 / ( 1 + FR)

FR = Média Altas / Média Baixas *

(*) Para o cálculo da média das altas, usa-se apenas os períodos de alta ou o valor zero nos períodos de baixa. O oposto vale para a média das baixas.

Para o cálculo do indicador são usados os valores dos últimos N+1 períodos, sendo N o número de períodos do cálculo do indicador já que ele baseia-se no valor da variação do período – o fechamento atual menos o fechamento anterior – e não somente no fechamento, como acontece na maioria dos indicadores. Com as últimas N variações calcula-se a média das altas e baixas nesse intervalo. São calculadas duas médias de N elementos cada (soma-se os elementos e divide-se o total por N), utilizando o valor da alta ou zero como cada elemento no cálculo da média das altas e zero ou o valor da baixa no cálculo da média das baixas. O valor das médias das altas dividido pelo valor das médias das baixas é igual ao componente FR, intermediário no cálculo do indicador.

Como a fórmula do IFR utiliza da variação do preço (fechamento – fechamento anterior), então, precisamos do preço de X+1 períodos passados para calcular o IFR de X períodos. Isso significa que para calcularmos o IFR de 9 períodos precisamos do preço ou valor, se for em pontos, dos últimos 10 períodos a partir dos quais calculamos as últimas 9 variações de preço e em seguida o IFR.

Como utilizar: Interpretando o IFR

Como dito anteriormente, a maioria das pessoas utiliza o IFR acompanhando o valor do indicador (que vai de 0 a 100) em relação a dois pontos fixos, normalmente os valores de 70 e 30. Também vale destacar que quanto mais um ativo segue em uma direção, mais o IFR acusa que irá mudar de tendência, por isso, para que esse indicador funcione corretamente, este deve ser finalmente ajustado ao ativo e ao tempo gráfico em que será utilizado.

Variações do IFR

Existem dois tipos mais comuns de IFR. O primeiro chamado de Wilder em referência a Welles Wilder, que desenvolveu o indicador e publicou um livro sobre ele em 1978, e o segundo chamado de Cutler, que aperfeiçoou o indicador posteriormente.

Atualmente, o IFR de Cutler é amplamente mais utilizado e é o que está em todo o conteúdo deste post. A única diferença entre estes dois IFRs é que o IFR de Wilder utiliza de médias exponenciais e não as médias simples em sua fórmula. Wilder defendeu que, quando o IFR apresentar divergência no mercado, o ativo está próximo de uma mudança de tendência. Tal divergência seria confirmada pela formação de uma nova máxima no preço quando, ao mesmo tempo, o IFR formar uma nova mínima em seu valor ou pela formação de uma nova mínima no ativo quando, ao mesmo tempo, o IFR formar uma nova máxima.

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Linhas mostram o indicador divergindo dos preços

Essa divergência pode ser observada na imagem acima, com IFR oscilando na zona entre 70 e 30 para PETR4. É possível ver que a tendência do IFR divergiu da tendência de baixa do preço, e, logo depois, foi acompanhado por uma subida.

Estratégias Automatizadas de Investimento com IFR

Por ser um indicador de momento, ou seja, antecipa tendências, ele é comumente combinado com as Médias Móveis. Outra classificação é como indicador Oscilador sendo, geralmente, eficiente dentro de tendẽncias curtas ou em largas acumulações. No caso do IFR, essa faixa de oscilação é formada por valores entre 0 e 100.

Na SmarttBot, temos duas opções de estratégias para robôs que operam apenas com IFR: Cruzamento de IFR com os níveis e IFR acima/abaixo dos níveis sobrecomprado/sobrevendido.

Para definir saídas, o investidor pode utilizar o IFR quando o indicador sinalizar ou colocar stops sem o indicador.

Agora entenda como as compras e vendas ocorrem em cada estratégia:

Cruzamento de IFR com os níveis

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Robô realiza operação no momento exato do cruzamento do IFR com o nível superior

A estratégia de investimento chamada de Cruzamento de IFR com os níveis é muito simples: estabelecemos dois limites, um superior e um inferior. Dessa forma, o robô realiza a compra exatamente no momento do cruzamento do IFR com a linha da zona de sobrecomprado (limite superior) e vende saindo da operação, quando ele atinge a zona de sobrevendido (limite inferior).

IFR acima/abaixo dos níveis sobrecomprado/sobrevendido

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IFR ultrapassa a linha superior e entra na zona que o robô realiza operações

Essa estratégia consiste, por sua vez, em comprar o ativo quando IFR passar pra baixo do limite sobrevendido (limite inferior) e vender quando ele passar pra cima do limite sobrecomprado (limite superior). Em outras palavras, o robô opera considerando a relação entre o valor do IFR e dos dois níveis

Vejamos um gráfico com o IFR de 9 períodos junto dos candles diários para PETR4:

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Entrada do Robô IFR como comprado em 30

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Robô realiza a venda quando o nível do IFR é superior a 70

 

As imagens acima mostram momentos que o robô de IFR realiza operações. Na primeira imagem, quando a linha do indicador ultrapassa o limite inferior, o robô realiza uma compra se os parâmetros estiverem configurados como critério de entrada o cruzamento do IFR com os níveis. Caso o critério seja o IFR acima/abaixo dos níveis sobrecomprado/sobrevendido, nesse momento, o robô pode operar seguindo a parametrização. O mesmo acontece para a venda, como visto no segundo gráfico, onde o indicador ultrapassa a linha superior e realiza a venda do ativo.

Outras formas de uso do IFR

Observando o comportamento do IFR, é importante ressaltar dois pontos:

      1. Também é possível ver investidores que utilizam o indicador quando ele alcança 80 e 20. O IFR sobe no gráfico até seu valor máximo de 100, porém ele só chega a seu extremo (valor 100 exato, sem arredondamentos) quando ocorrem X períodos seguidos de alta, onde X é o número de períodos do IFR. De forma semelhante, para o IFR atingir o valor de 0 ele precisa de X períodos seguidos de baixa. O que IFR tenta dizer é o excesso de força compradora ou vendedora em um ativo. Por isto ele a não indicou nenhuma vez uma sobrecompra no período.
      2. Em vários momentos o indicador permaneceu abaixo do nível de sobrevenda. Com base no observado acima, podemos ver que o IFR é um indicador mais propício para indicar correções em tendências e que ele pode permanecer longos períodos em seus “extremos” quando ocorrem movimentos fortes e/ou longos em um único sentido. Por ser um indicador de parâmetro único, o traçado do IFR muda consideravelmente ao utilizarmos números diferentes de períodos.

Para entender melhor sobre o assunto, recomendo o post Quando o robô faz uma operação?

Podemos perceber que IFRs mais longos – de prazos maiores – formam curvas mais suaves. Novamente gostaria de reforçar que o número de períodos que melhor acertará os movimentos de correção de tendência varia imensamente de acordo com o ativo e tempo gráfico observado, não existe número mágico. Apesar disso, existem estratégias/setups que seguem IFRs específicos. Essas, porém, na maioria das vezes, também possuem regras operacionais diferentes da forma clássica de se operar com o IFR.

Stops e targets fixos ou móveis/dinâmicos

Com o uso de softwares para simulação e algotrading (operação automatizada) muitos investidores conseguiram, através de backtesting, encontrar novos parâmetros “vencedores” para combinações específicas de ativos e tempos gráficos, por isso estratégias que utilizam limites como 42 e 87 já existem.

IFR nos seus Investimentos

Existem parâmetros que podem ser mais lucrativos, ou seja, uma combinação de tempo gráfico e valores para limites superior e inferior para cada combinação de ativo e tempo gráfico podem dar um rendimento maior para seus investimentos. O melhor caminho para encontrar tais parâmetros é fazer muitas simulações (backtests) e nada garante que os parâmetros que performaram melhor no passado serão os mais lucrativos no presente e futuro. Assim como qualquer indicador, o Índice de Força Relativa utiliza das mesmas informações disponíveis para o investidor mas, através de sua fórmula matemática, as reorganiza e apresenta em forma de gráfico.

Ao usar o IFR, a chave é ser simplista, objetivo e analítico, esquecendo as armadilhas, lendas e falácias do mercado. Gaste seu tempo simulando, combine sua estratégia com stops para ver se os resultados melhoram, só arrisque seu capital quando estiver seguro da relação risco e retorno a que estará se sujeitando e não vá além do que é concreto sobre este indicador.

Bons investimentos!

Estudante de Economia na UFMG, faz parte do time de Marketing da SmarttBot, plataforma de automatização de investimentos na Bolsa.