Como escolher o robô investidor ideal para o seu perfil de risco

Conforme explicitado no meu último post Como Escolher o Robô Investidor Ideal para o Seu Perfil, antes de iniciar seus investimentos em renda variável, sobretudo a partir de robôs investidores, é fundamental que o investidor tenha uma plena consciência acerca de dois aspectos: seu nível de conhecimento e experiência no mercado financeiro e seu perfil de risco.

Se no post anterior nos concentramos em discutir o tipo de robô investidor mais indicado para cada nível de conhecimento, aqui vamos nos aprofundar na análise de como escolher aquele que mais se adequa ao perfil de risco do investidor.

Ao contrário da análise anterior, onde foi mostrado que a variação dos robôs em relação ao perfil de conhecimento do investidor está basicamente em uma característica do robô propriamente dito, o seu nível de abertura, quando o assunto é o perfil de risco a avaliação do mercado ou segmento onde o robô opera é ainda mais importante.

É claro que características do robô investidor como sua frequência de operações e os alvos buscados farão muita diferença mas, em geral, essas características estão fortemente relacionadas ao segmento onde ele atua.

O robô investidor adequado para o seu perfil de risco

Independentemente de estarmos falando de robôs investidores ou não, o risco de um investimento qualquer está sempre relacionado ao seu potencial de retorno. Em geral, investimentos de mais alto risco trazem um potencial de retorno maior. Isto porque, de forma simplificada, boa parte dos investimentos podem ser vistos como a tomada de crédito por parte de uma entidade que garante ao investidor, seu credor, uma possibilidade de ganho de capital com aquele “empréstimo” em um período futuro. Exatamente por isso, o potencial de retorno e o nível de risco de um investimento andam juntos: é justamente o maior risco que faz com que o potencial de ganho seja maior, uma vez que se a garantia de adimplemento daquele valor investido é mais frágil o investidor deve ser recompensado com uma possibilidade de ganhos mais atrativa.

Todo esse raciocínio aplica-se diretamente quando tratamos do mercado primário, isto é, quando uma entidade – como empresas, instituições financeiras ou o próprio governo – ofertam títulos, ações ou qualquer outro tipo de investimento ao investidor comum. Quando tratamos do mercado secundário, onde um investidor negocia um instrumento qualquer (títulos, ações, contratos, etc.) diretamente com outro investidor, além dos riscos intrínsecos à confiança na própria emissora daquele investimento, devem ser analisadas a validade e autenticidade da negociação.

Colocados todos esses pontos, chegamos à primeira grande dica na análise do grau de risco de um investimento: desconfie de investimentos com retornos muito atrativos, certamente o risco inerente ao mesmo será tão expressivo quanto o seu potencial de ganho. Mais que em qualquer outro cenário, no mercado de investimentos o ditado popular se faz valer e “se a esmola é demais, o santo deve sim desconfiar”.

Mas, afinal, como avaliar o risco de um investimento?

Quando falamos de risco no mercado de capitais normalmente estamos nos referindo à possibilidade de perda de capital. Quando o assunto é renda fixa, como exposto anteriormente, em geral, nos basta avaliar a seriedade da instituição por trás de cada opções de investimento e as garantias disponíveis para os casos de insolvência por parte da mesma.

Por exemplo, para investimentos como Debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Letra Imobiliária Garantida (LIG) toda a garantia que o investidor detêm se concentra no grau de confiabilidade de solvência da própria entidade emissora. Já para investimentos como Caderneta de Poupança, Certificado de Depósito Bancário (CDB), Recibo de Deposito Bancário (RDB), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Letras de Câmbio (LC), Letras Imobiliárias (LI) e Letras Hipotecárias (LH), além da instituição emissora em si, existe ainda o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) que garante ao investidor a recuperação de até R$250.000 por CPF por instituição financeira em caso de insolvência da instituição e que, com mais de 20 anos, não apresenta nenhum histórico de calote.

Mas e quando se trata de renda variável e da negociação na bolsa de valores? Como avaliar o risco de um investimento?

Nesses casos segue sendo importante avaliar a que tipo de instituição ou indicador financeiro o instrumento negociado está atrelado, podendo ser uma empresa, uma moeda, um indicador econômico, etc. Contudo, deve entrar na análise de risco com grande peso a volatilidade daquela opção de investimento.

Volatilidade é uma medida estatística que descreve quão frequentes e intensas são a oscilações no valor de um determinado investimento. Em outras palavras, a volatilidade indica a maneira como os preços de um determinado papel variam. Dessa forma, naturalmente quanto mais volátil for um investimento, mais arriscado ele tende a ser, uma vez que as fortes variações de seu valor em relação às flutuações de mercado prejudicam severamente a sua previsibilidade.

Por se tratar de um conceito amplo e com diversas ramificações como, por exemplo, Volatilidade Histórica, Volatilidade Implícita e Volatilidade Real, existem diferentes formas de se calcular a volatilidade de um ativo. Por essa razão, deixaremos para uma próxima oportunidade a exploração das suas diversas formas de cálculo, mas a partir de uma simples análise comparativa dos gráficos de preço de alguns ativos, é fácil perceber o maior grau de volatilidade de um em relação a outro. E para estudar e acompanhar a volatilidade dos ativos negociados no mercado de ações, a própria B3 disponibiliza em seu site uma excelente ferramenta.  

Por fim, um último mas não menos importante grande fator a se considerar na análise de risco de um investimento em renda variável é o seu nível de alavancagem. A chamada alavancagem pode ser vista como uma espécie de limite de crédito disponibilizado pelas instituições financeiras aos investidores de acordo com o seu perfil e, principalmente, com o tipo de instrumento negociado.

De forma simples, a alavancagem é uma técnica que permite maximizar o volume financeiro movimentado em uma operação qualquer a partir de uma margem de garantia predefinida. Especialmente na negociação de derivativos, no segmento BM&F, é muito comum observar as corretoras de valores disponibilizando níveis de alavancagens bastante expressivos que permitem aos investidores movimentar da ordem de centenas de vezes os valores, de fato, depositados em suas contas.

Como exemplo, vamos considerar a compra de um minicontrato de dólar futuro. Atualmente existe corretora que exige como garantia para essa movimentação apenas R$35,00. Como cada minicontrato representa US$10.000,00, considerando a cotação no momento em que este post está sendo escrito de 3,775, será movimentado um volume financeiro de R$37.750,00 com uma garantia real de apenas R$35,00, ou seja, uma alavancagem de R$37.750,00 / R$35,00 = 1078 vezes.

A alavancagem pode ser bem interessante em caso de ganho, já que uma leve valorização do instrumento negociado pode representar um ganho percentual bastante expressivo. No exemplo anterior, como a variação de cada ponto de dólar representa R$10,00, uma variação de 3 pontos e meio – isto é, uma variação inferior 0,1% – poderia representar um ganho de 100% sobre o valor investido. Contudo, simetricamente, mesmo uma variação nada expressiva como esta poderia representar a perda de todo o capital investido.

Em resumo, se atentando a esses três grandes fatores relacionados ao risco de um investimento – potencial de retorno, volatilidade e nível de alavancagem – basta escolher uma opção de investimento que se adeque mais ao seu perfil de risco.

Mas e os robôs investidores? Como avaliar os riscos relativos à sua utilização? Conforme sempre destaco, o robô investidor é apenas um software, uma ferramenta, um operador para o seu investimento. Em última instância o que irá definir o risco do seu investimento automatizado é a estratégia escolhida por trás do seu robô investidor.

É claro que podemos entrar em questões relacionadas à forma de operar dos robôs, a latência no envio de ordens ou à infra-estrutura da plataforma, corretora e até da bolsa onde eles operam, mas isso já seria um outro assunto e deixemos para um próximo encontro.

Espero que tenham gostado. Até a próxima.

Gomide

Co-founder & CEO da SmarttBot. Formado em Ciência da Computação pela UFMG. Mestre em Machine Learning pela PUC-Rio. Apaixonado por Empreendedorismo e pelo Atlético-MG.